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	<title>Comments on: Quem é amigo ou inimigo?</title>
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		<title>By: mh</title>
		<link>http://islamnet.eu/quem-e-amigo-ou-inimigo/comment-page-1/#comment-171</link>
		<dc:creator>mh</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jul 2008 14:07:46 +0000</pubDate>
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		<description>No Alcorão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.94 . &quot;Dize-lhes: &quot;&quot;Se a última morada, ao lado de Deus, é exclusivamente vossa em detrimento dos demais, desejai então a morte, se estiverdes certos.&quot;&quot;&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.185 . &quot;Toda a alma provará o sabor da morte e, no Dia da Ressurreição, sereis recompensado integralmente pelos vossos actos; quem for afastado do fogo infernal e introduzido no Paraíso, triunfará. Que é a vida terrena, senão um prazer ilusório?&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.159 . Nenhum dos adeptos do Livro deixará de acreditar nele (Jesus), antes da sua morte, que, no Dia da Ressurreição, testemunhará contra eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6.162 . Dize: Minhas orações, minhas devoções, minha vida e minha morte pertencem a Deus, Senhor dos Universos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, no Alcorão, o que podemos encontrar é a crença, nada mais, não existem teses, mas garantias, garantias de morte e de uma &quot;vida&quot; (entre aspas) junto a Deus ou no Inferno...&lt;br /&gt;Isso é a religião, é acreditar e ter fé! Agora, os filósofos podem sempre ter teses mais aproximadas ou mais afastadas daquilo que é a morte ou do que é a vida depois da morte, em relação ao Islão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo será provado depois da morte. Nietzsche se calhar já sabe a verdade (:D)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salams&lt;br /&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>No Alcorão:</p>
<p>2.94 . &#8220;Dize-lhes: &#8220;&#8221;Se a última morada, ao lado de Deus, é exclusivamente vossa em detrimento dos demais, desejai então a morte, se estiverdes certos.&#8221;"&#8221;</p>
<p>3.185 . &#8220;Toda a alma provará o sabor da morte e, no Dia da Ressurreição, sereis recompensado integralmente pelos vossos actos; quem for afastado do fogo infernal e introduzido no Paraíso, triunfará. Que é a vida terrena, senão um prazer ilusório?&#8221;</p>
<p>4.159 . Nenhum dos adeptos do Livro deixará de acreditar nele (Jesus), antes da sua morte, que, no Dia da Ressurreição, testemunhará contra eles.</p>
<p>6.162 . Dize: Minhas orações, minhas devoções, minha vida e minha morte pertencem a Deus, Senhor dos Universos.</p>
<p>Ora, no Alcorão, o que podemos encontrar é a crença, nada mais, não existem teses, mas garantias, garantias de morte e de uma &#8220;vida&#8221; (entre aspas) junto a Deus ou no Inferno&#8230;<br />Isso é a religião, é acreditar e ter fé! Agora, os filósofos podem sempre ter teses mais aproximadas ou mais afastadas daquilo que é a morte ou do que é a vida depois da morte, em relação ao Islão.</p>
<p>Tudo será provado depois da morte. Nietzsche se calhar já sabe a verdade (:D)</p>
<p>Salams</p>
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	<item>
		<title>By: mh</title>
		<link>http://islamnet.eu/quem-e-amigo-ou-inimigo/comment-page-1/#comment-170</link>
		<dc:creator>mh</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jul 2008 14:03:48 +0000</pubDate>
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		<description>Salams. Peço desculpa por não lhe ter respondido mais cedo, a razão disso está totalmente relacionada com motivos profissionais. Ontem à noite comecei também a mudar o template do blog, de modo a facilitar a leitura, faltam algumas alterações, mas já é possível ler o blog sem cansar a vista. Não optei por mudar para o wordpress, apesar de ter muitos projectos nessa plataforma (com domínio próprio), muito devido ao que já está construído neste site e pelo facto de não haver possibilidade de redirecionamento pelos blogs da sapo, seria começar tudo de novo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando agora clarificar o conceito de Akhirah, é claro que ele pode ser entendido como a vida após a morte, mas o que prevalece sempre é o Akhirah, durante a vida e depois da morte. O Dunya refere-se sempre a uma fase passageira/decisiva, refere-se ao mundano. Considera-se Dunya, tal como se considera o senso comum na Filosofia, o Akhirah será o Senso Crítico, a passagem para o outro lado que realmente &quot;EXISTE&quot;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu li um livro, já há algum tempo, &quot;O Desejo pelo Akhirah&quot;, do &quot;Livro Verde&quot;. É assim que me lembro que se chamava; provavelmente encontrará na Mesquita Central de Lisboa, e é excelente para compreendermos o porquê da discussão do Dunya e do Akhirah em simultâneo, que na verdade não podem existir/ não devem: No tempo do nosso profeta Muhammad S.A.W (que a paz esteja com ele), tudo o que se fazia era em nome de Allah, era em preparação para o Akhirah (o verdadeiro Akhirah, se é que assim se pode dizer), do Dunya só se retirava o sustento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto eu: Quem nos dias de hoje vive dessa forma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando à outra questão, à da vida depois da morte. Temos que em primeiro lugar ter em conta que na base de uma religião está a crença e não o tentar provar isto ou aquilo, não é tentar ter teses, é acreditar sem colocar inconformidades. Isso é a religião, qualquer religião. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gosto de Filosofia, sem dúvida, sempre fui excelente aluno, e acho que consegui ficar com tudo claro, consegui distinguir uma coisa da outra, filosofia (diferente) religião. Não tento então provar que Nietzsche estivesse errado, pois então!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário de Nietzsche, existe no Islão uma crença no transcendente, uma crença no que seja meta-físico, existe uma ideia de Deus como ser perfeito, omnipotente e omnipresente, que reúnde em si todas as qualidade e nenhuma das imperfeições, sendo que esta é uma deifinição muito similar à que Platão e seus seguidores, como tal se Deus é perfeito, existe como perfeição, nunca poderá enganar, enganar é ser imperfeito, logo, nunca poderíamos estar aqui sem razão alguma, sendo esta uma ideia bastante equitativa nas religiões monoteístas, a unicidade e a perfeição de Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nietzsche criticava o transcendentalismo, era defensor do naturalismo,  defendendo que nós humanos somos tal como os animais, nascemos e desaparecemos simplesmente, nada mais acontece...&lt;br /&gt;Na sua tese Nietzsche explica a &quot;Morte de Deus&quot;, e chegando a essa conlusão só pode chegar a uma outra, de que se Ele não existe, não pode haver mais nada metafísico, não existe o além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nietzsche foge à ideia de Homem, como ser pensante, mas transforma-a na ideia de &quot;sentido de vida&quot;, que o homem tem a possibilidade de dar um sentido à vida, nada mais somos do que animais, segundo ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Antes de nada querer, a vontade quer o nada&quot;, Nietzsche &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso significa que a transcendência para o sentido da vida voltar-se-ia para o interior do próprio ser humano. Poder-se-ia, então, falar de uma transcendência imanente, quer dizer, de um ir além que precisamente não seria um ir a algo além do natural, mas um ir além do ser do homem, segundo Nietzsche &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Salams. Peço desculpa por não lhe ter respondido mais cedo, a razão disso está totalmente relacionada com motivos profissionais. Ontem à noite comecei também a mudar o template do blog, de modo a facilitar a leitura, faltam algumas alterações, mas já é possível ler o blog sem cansar a vista. Não optei por mudar para o wordpress, apesar de ter muitos projectos nessa plataforma (com domínio próprio), muito devido ao que já está construído neste site e pelo facto de não haver possibilidade de redirecionamento pelos blogs da sapo, seria começar tudo de novo!</p>
<p>&#8212;-</p>
<p>Tentando agora clarificar o conceito de Akhirah, é claro que ele pode ser entendido como a vida após a morte, mas o que prevalece sempre é o Akhirah, durante a vida e depois da morte. O Dunya refere-se sempre a uma fase passageira/decisiva, refere-se ao mundano. Considera-se Dunya, tal como se considera o senso comum na Filosofia, o Akhirah será o Senso Crítico, a passagem para o outro lado que realmente &#8220;EXISTE&#8221;. </p>
<p>Eu li um livro, já há algum tempo, &#8220;O Desejo pelo Akhirah&#8221;, do &#8220;Livro Verde&#8221;. É assim que me lembro que se chamava; provavelmente encontrará na Mesquita Central de Lisboa, e é excelente para compreendermos o porquê da discussão do Dunya e do Akhirah em simultâneo, que na verdade não podem existir/ não devem: No tempo do nosso profeta Muhammad S.A.W (que a paz esteja com ele), tudo o que se fazia era em nome de Allah, era em preparação para o Akhirah (o verdadeiro Akhirah, se é que assim se pode dizer), do Dunya só se retirava o sustento.</p>
<p>Pergunto eu: Quem nos dias de hoje vive dessa forma?</p>
<p>&#8212;-</p>
<p>Passando à outra questão, à da vida depois da morte. Temos que em primeiro lugar ter em conta que na base de uma religião está a crença e não o tentar provar isto ou aquilo, não é tentar ter teses, é acreditar sem colocar inconformidades. Isso é a religião, qualquer religião. </p>
<p>Eu gosto de Filosofia, sem dúvida, sempre fui excelente aluno, e acho que consegui ficar com tudo claro, consegui distinguir uma coisa da outra, filosofia (diferente) religião. Não tento então provar que Nietzsche estivesse errado, pois então!</p>
<p>Ao contrário de Nietzsche, existe no Islão uma crença no transcendente, uma crença no que seja meta-físico, existe uma ideia de Deus como ser perfeito, omnipotente e omnipresente, que reúnde em si todas as qualidade e nenhuma das imperfeições, sendo que esta é uma deifinição muito similar à que Platão e seus seguidores, como tal se Deus é perfeito, existe como perfeição, nunca poderá enganar, enganar é ser imperfeito, logo, nunca poderíamos estar aqui sem razão alguma, sendo esta uma ideia bastante equitativa nas religiões monoteístas, a unicidade e a perfeição de Deus. </p>
<p>Nietzsche criticava o transcendentalismo, era defensor do naturalismo,  defendendo que nós humanos somos tal como os animais, nascemos e desaparecemos simplesmente, nada mais acontece&#8230;<br />Na sua tese Nietzsche explica a &#8220;Morte de Deus&#8221;, e chegando a essa conlusão só pode chegar a uma outra, de que se Ele não existe, não pode haver mais nada metafísico, não existe o além.</p>
<p>Nietzsche foge à ideia de Homem, como ser pensante, mas transforma-a na ideia de &#8220;sentido de vida&#8221;, que o homem tem a possibilidade de dar um sentido à vida, nada mais somos do que animais, segundo ele.</p>
<p>&#8220;Antes de nada querer, a vontade quer o nada&#8221;, Nietzsche </p>
<p>Isso significa que a transcendência para o sentido da vida voltar-se-ia para o interior do próprio ser humano. Poder-se-ia, então, falar de uma transcendência imanente, quer dizer, de um ir além que precisamente não seria um ir a algo além do natural, mas um ir além do ser do homem, segundo Nietzsche </p>
<p>(&#8230;)</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: duarte</title>
		<link>http://islamnet.eu/quem-e-amigo-ou-inimigo/comment-page-1/#comment-169</link>
		<dc:creator>duarte</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Jul 2008 12:55:36 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://islamnet.blogs.sapo.pt/156936.html#comment-169</guid>
		<description>Viva!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já deve ter notado, tenho alguma dificuldade em acolher o conceito de &quot;vida depois da morte&quot; - seja de que religião for - sobretudo, quando isso quer dizer &quot;vida da alma depois da morte do corpo&quot;, porque essas ideias são transmitidas por pessoas que vivem, e que não morreram por completo, para poderem testemunhar o que seria o pós-morte do corpo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha abordagem é a de que estamos vivos e mortos ao mesmo tempo: mortos porque a última camada externa e protectora do corpo é feita de células mortas, e vivos porque a alma, a vontade e a inteligência animam o corpo. Dito de outra maneira: a morte protege a vida no seu interior das agressões exteriores (o frio, a intempérie, etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã vou de férias, mas deixo um convite/desafio: se for oportuno para si, pedia-lhe que tentasse fundamentar o seu ponto de vista com base em referências bibliográficas islâmicas (especialmente o Alcorão, claro). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(É um grande projecto: provar que Nietzsche estava errado...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até breve!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Viva!</p>
<p>Como já deve ter notado, tenho alguma dificuldade em acolher o conceito de &#8220;vida depois da morte&#8221; &#8211; seja de que religião for &#8211; sobretudo, quando isso quer dizer &#8220;vida da alma depois da morte do corpo&#8221;, porque essas ideias são transmitidas por pessoas que vivem, e que não morreram por completo, para poderem testemunhar o que seria o pós-morte do corpo. </p>
<p>A minha abordagem é a de que estamos vivos e mortos ao mesmo tempo: mortos porque a última camada externa e protectora do corpo é feita de células mortas, e vivos porque a alma, a vontade e a inteligência animam o corpo. Dito de outra maneira: a morte protege a vida no seu interior das agressões exteriores (o frio, a intempérie, etc.).</p>
<p>Amanhã vou de férias, mas deixo um convite/desafio: se for oportuno para si, pedia-lhe que tentasse fundamentar o seu ponto de vista com base em referências bibliográficas islâmicas (especialmente o Alcorão, claro). </p>
<p>(É um grande projecto: provar que Nietzsche estava errado&#8230;)</p>
<p>Até breve!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: mh</title>
		<link>http://islamnet.eu/quem-e-amigo-ou-inimigo/comment-page-1/#comment-168</link>
		<dc:creator>mh</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Jul 2008 12:33:20 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://islamnet.blogs.sapo.pt/156936.html#comment-168</guid>
		<description>Salams.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo inteiramente com essa perspectiva. o Akhirah e Dunya são &quot;dois mundos diferentes&quot; no sentido estrito da palavras, mas sim, podemos considerar que existimos sempre como Alma no mundo e vamos existir depois da morte, o Akhirah aqui na vida representa essa mesma alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos considerar o aspecto da fé, como estando inteiramente ligado ao Akhirah. Na minha opinião, o tal &quot;Akhirah&quot; na vida de que o irmão fala, é mais uma preparação do Akhirah (depois da morte). Quando rezamos estamos como alma e não estamos a trazer quaisquer aspectos da vida mundana para essas rezas e orações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto o Akhirah e o Dunya coexistem ao mesmo tempo! DEVEM coexisitir como o irmão disse!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salams (o seu último artigo está bastante bom!!!)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Salams.</p>
<p>Concordo inteiramente com essa perspectiva. o Akhirah e Dunya são &#8220;dois mundos diferentes&#8221; no sentido estrito da palavras, mas sim, podemos considerar que existimos sempre como Alma no mundo e vamos existir depois da morte, o Akhirah aqui na vida representa essa mesma alma.</p>
<p>Podemos considerar o aspecto da fé, como estando inteiramente ligado ao Akhirah. Na minha opinião, o tal &#8220;Akhirah&#8221; na vida de que o irmão fala, é mais uma preparação do Akhirah (depois da morte). Quando rezamos estamos como alma e não estamos a trazer quaisquer aspectos da vida mundana para essas rezas e orações.</p>
<p>Portanto o Akhirah e o Dunya coexistem ao mesmo tempo! DEVEM coexisitir como o irmão disse!</p>
<p>Salams (o seu último artigo está bastante bom!!!)</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: duarte</title>
		<link>http://islamnet.eu/quem-e-amigo-ou-inimigo/comment-page-1/#comment-167</link>
		<dc:creator>duarte</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Jul 2008 10:44:47 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://islamnet.blogs.sapo.pt/156936.html#comment-167</guid>
		<description>Salams!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vantagem do diálogo é que nos sugere pesquisas de que, sozinhos, não nos lembraríamos. Por isso, é bastante enriquecedor estar aqui a trocar ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, acho que a mensagem essencial do meu comentário não passou: Dunya e Akhirah como dois regimes co-existentes na criatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NÃO como a sucessão de dois tempos: uma vida antes e outra depois da morte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de mortos, o que sobra são átomos e estrelas, minerais inanimados (sem “anima”, vida, alma).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a interpretação religiosa mais generalizada identifique Akhirah com “vida após a morte”, não é a única leitura existente na cultura islâmica, nem sequer é a mais feliz. Pelo contrário, é muito triste levar as pessoas vivas a desejarem o inanimado. Nietzsche chamava a isso nihilismo, desejo de Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as minhas limitações de não poder ler no árabe original, recolhi na Net a informação de que a palavra &quot;Akhirah&quot; quer dizer “fim último, objectivo final, finalidade” e deriva do substantivo “khirah” que significa “liberdade” a que se juntou a determinação do “Alif” (por isso, se diz que “tudo o que pertence a Akhirah tem de começar por Alif”). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem souber ler árabe, por favor, confirme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Alcorão refere-se a “Akhirah”, no contexto do dia do Juízo FINAL.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se estas correspondências estiverem correctas, diria que o conceito de “Akhirah” está extraordinariamente próximo do “fim último” como realização da liberdade, na teoria da finalidade de Kant, tal como é exposta na “Crítica do JUÍZO”: «o conceito de LIBERDADE deve realizar no MUNDO sensível o FIM imposto pela sua lei». Esse fim é a efectuação do Soberano Bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kant define assim o FIM que a LIBERDADE deve realizar: «União do maior bem-estar das criaturas racionais no MUNDO com a mais alta condição do BEM MORAL nele».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transposto para a linguagem árabe, daria: “União do maior bem-estar das criaturas racionais no DUNYA (“mundo”) com a mais alta condição do AKHIRAH (“fim último”) nele”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos árabes eram filósofos… E no século XVIII, na Alemanha de Kant, haviam já muitos emigrantes árabes. Quem influenciou quem, é difícil de averiguar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo, tanto estamos no &quot;mundo&quot; (Dunya), onde temos família e conhecidos, como evoluímos interiormente quando meditamos ou oramos, habitando, vivendo, a nossa alma (Akhirah). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sayy?dina Ali disse: “Age no dunya como se vivesses para sempre e repousa no akhirah como se morresses amanhã”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Akhirah e Dunya são como o nascer e o pôr do sol: ele nasce e morre todos os dias, nós movimentamo-nos e repousamos todos os dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, na nossa existência de criaturas fazemos, ao mesmo tempo, de mortos e de vivos. A pele tem uma camada protectora de células mortas, e a crosta terrestre do mundo (Dunya) não é mais que matéria-morta. Essa cobertura resguarda e conserva no seu interior a vida da nossa alma (Akhirah).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um texto islâmico diz: «Uma perna no dunya e outra no Akhirah. Assim é para as pessoas equilibradas. Pessoas desequilibradas são de dois tipos: as que enlouquecem pelo Dunya, as que enlouquecem pelo Akhirah».</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Salams!</p>
<p>A vantagem do diálogo é que nos sugere pesquisas de que, sozinhos, não nos lembraríamos. Por isso, é bastante enriquecedor estar aqui a trocar ideias.</p>
<p>Contudo, acho que a mensagem essencial do meu comentário não passou: Dunya e Akhirah como dois regimes co-existentes na criatura. </p>
<p>NÃO como a sucessão de dois tempos: uma vida antes e outra depois da morte. </p>
<p>Depois de mortos, o que sobra são átomos e estrelas, minerais inanimados (sem “anima”, vida, alma).</p>
<p>Embora a interpretação religiosa mais generalizada identifique Akhirah com “vida após a morte”, não é a única leitura existente na cultura islâmica, nem sequer é a mais feliz. Pelo contrário, é muito triste levar as pessoas vivas a desejarem o inanimado. Nietzsche chamava a isso nihilismo, desejo de Nada.</p>
<p>Com as minhas limitações de não poder ler no árabe original, recolhi na Net a informação de que a palavra &#8220;Akhirah&#8221; quer dizer “fim último, objectivo final, finalidade” e deriva do substantivo “khirah” que significa “liberdade” a que se juntou a determinação do “Alif” (por isso, se diz que “tudo o que pertence a Akhirah tem de começar por Alif”). </p>
<p>Quem souber ler árabe, por favor, confirme. </p>
<p>O Alcorão refere-se a “Akhirah”, no contexto do dia do Juízo FINAL.</p>
<p>Se estas correspondências estiverem correctas, diria que o conceito de “Akhirah” está extraordinariamente próximo do “fim último” como realização da liberdade, na teoria da finalidade de Kant, tal como é exposta na “Crítica do JUÍZO”: «o conceito de LIBERDADE deve realizar no MUNDO sensível o FIM imposto pela sua lei». Esse fim é a efectuação do Soberano Bem.</p>
<p>Kant define assim o FIM que a LIBERDADE deve realizar: «União do maior bem-estar das criaturas racionais no MUNDO com a mais alta condição do BEM MORAL nele».</p>
<p>Transposto para a linguagem árabe, daria: “União do maior bem-estar das criaturas racionais no DUNYA (“mundo”) com a mais alta condição do AKHIRAH (“fim último”) nele”.</p>
<p>Muitos árabes eram filósofos… E no século XVIII, na Alemanha de Kant, haviam já muitos emigrantes árabes. Quem influenciou quem, é difícil de averiguar.</p>
<p>Resumindo, tanto estamos no &#8220;mundo&#8221; (Dunya), onde temos família e conhecidos, como evoluímos interiormente quando meditamos ou oramos, habitando, vivendo, a nossa alma (Akhirah). </p>
<p>Sayy?dina Ali disse: “Age no dunya como se vivesses para sempre e repousa no akhirah como se morresses amanhã”.</p>
<p>Akhirah e Dunya são como o nascer e o pôr do sol: ele nasce e morre todos os dias, nós movimentamo-nos e repousamos todos os dias. </p>
<p>Por isso, na nossa existência de criaturas fazemos, ao mesmo tempo, de mortos e de vivos. A pele tem uma camada protectora de células mortas, e a crosta terrestre do mundo (Dunya) não é mais que matéria-morta. Essa cobertura resguarda e conserva no seu interior a vida da nossa alma (Akhirah).</p>
<p>Um texto islâmico diz: «Uma perna no dunya e outra no Akhirah. Assim é para as pessoas equilibradas. Pessoas desequilibradas são de dois tipos: as que enlouquecem pelo Dunya, as que enlouquecem pelo Akhirah».</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: MH</title>
		<link>http://islamnet.eu/quem-e-amigo-ou-inimigo/comment-page-1/#comment-166</link>
		<dc:creator>MH</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Jul 2008 22:34:08 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://islamnet.blogs.sapo.pt/156936.html#comment-166</guid>
		<description>&quot;Deixo a questão: não é possível que Dunya e Akhirah co-existam na nossa vivência de todos os dias e designem dois lados em cada um de nós, o lado mais egocêntrico, terrestre e vulgar (Dunya) e o lado mais humano da alma que se consagra a Alá nesta vida (ainda que seja uma espécie de morte do seu Dunya, um afastamento da chamada &quot;vida social&quot;, praticada por tantos sufis).&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos preparar o Akhirah, devemos estar prontos para o Akhirah, no sentido de vida após a morte, logo, é essencial que foquemos a nossa vida para o Akhirah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vejamos, é impossível nos dias de hoje ter um género de morte espiritual (deixem-me ser sincero), se ficamos unicamente a rezar a Allah, dia e noite, se deixamos tudo para trás, a vida social e ficamos unicamente com a fé, se deixamos a família, os filhos, os amigos para ficarmos nesse tipo de &quot;morte&quot;, é impossível que nos consigamos sequer sustentar. Allah pede que se afaste da vida na terra e que se viva unicamente como espírito? Não, não pede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, o irmão coloca uma questão pertinente, será que podemos rezar todas as orações, rezar a Allah para além do namaz, recordar os profetas e Muhammad S.A.W. e ao mesmo tempo ter uma vida normal, trabalhando, convivendo? É claro que sim, e é assim que deve ser, Allah só pode 5 orações por dia! Rezar a Allah não deve ser avaliado como fácil/difícil, mas algo que se faz por fé, por crença, por vontade/amor, se assim quisermos dizer.&lt;br /&gt;Ao fazermos tudo isso ligado à espiritualidade estamos a preparar o nosso Akhirah, na medida em que fazemos boas acções, seguimos os 5 pilares do islão. Por outro lado, mantemos a nossa convivência e trabalhamos, mantemos o Dunya, não abdicamos deles, precisamos dele. Quando digo Dunya, não falo em viver na luxúria, falo em ter uma vida normal, de classe média, trabalhando para isso, e se tendo mais poder monetário dar a quem mais precisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o grande muçulmano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele que usa o Dunya para preparar o Akhirah. O Dunya é na verdade uma preparação do Akhirah, a vida é uma espécie de viagem, de preparação, para a &quot;eternidade&quot; que teremos após a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salams</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Deixo a questão: não é possível que Dunya e Akhirah co-existam na nossa vivência de todos os dias e designem dois lados em cada um de nós, o lado mais egocêntrico, terrestre e vulgar (Dunya) e o lado mais humano da alma que se consagra a Alá nesta vida (ainda que seja uma espécie de morte do seu Dunya, um afastamento da chamada &#8220;vida social&#8221;, praticada por tantos sufis).&#8221;</p>
<p>Devemos preparar o Akhirah, devemos estar prontos para o Akhirah, no sentido de vida após a morte, logo, é essencial que foquemos a nossa vida para o Akhirah.</p>
<p>Mas vejamos, é impossível nos dias de hoje ter um género de morte espiritual (deixem-me ser sincero), se ficamos unicamente a rezar a Allah, dia e noite, se deixamos tudo para trás, a vida social e ficamos unicamente com a fé, se deixamos a família, os filhos, os amigos para ficarmos nesse tipo de &#8220;morte&#8221;, é impossível que nos consigamos sequer sustentar. Allah pede que se afaste da vida na terra e que se viva unicamente como espírito? Não, não pede.</p>
<p>Agora, o irmão coloca uma questão pertinente, será que podemos rezar todas as orações, rezar a Allah para além do namaz, recordar os profetas e Muhammad S.A.W. e ao mesmo tempo ter uma vida normal, trabalhando, convivendo? É claro que sim, e é assim que deve ser, Allah só pode 5 orações por dia! Rezar a Allah não deve ser avaliado como fácil/difícil, mas algo que se faz por fé, por crença, por vontade/amor, se assim quisermos dizer.<br />Ao fazermos tudo isso ligado à espiritualidade estamos a preparar o nosso Akhirah, na medida em que fazemos boas acções, seguimos os 5 pilares do islão. Por outro lado, mantemos a nossa convivência e trabalhamos, mantemos o Dunya, não abdicamos deles, precisamos dele. Quando digo Dunya, não falo em viver na luxúria, falo em ter uma vida normal, de classe média, trabalhando para isso, e se tendo mais poder monetário dar a quem mais precisa.</p>
<p>Esse é o grande muçulmano:</p>
<p>Aquele que usa o Dunya para preparar o Akhirah. O Dunya é na verdade uma preparação do Akhirah, a vida é uma espécie de viagem, de preparação, para a &#8220;eternidade&#8221; que teremos após a morte.</p>
<p>Salams</p>
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		<title>By: MH</title>
		<link>http://islamnet.eu/quem-e-amigo-ou-inimigo/comment-page-1/#comment-165</link>
		<dc:creator>MH</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Jul 2008 22:15:58 +0000</pubDate>
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		<description>Salams irmão Duarte. É bastante boa a forma como transmite o seu conhecimento, tanto aqui como no seu blog (sou seu leitor...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando primeiro do seu último comentário...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Todo o que vive tem de saborear a morte».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe essa perspectiva que tomou, mas podemos ler esta frase num sentido menos metafórico, pois todos os que vivem, todos os que nasceram terão só um fim: a morte. todos, todos sem excepção iram, mais cedo ou mais tarde sentir a morte, irão saber o que é morrer, o que está do outro lado. É esse o sabor que todos irão sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, esse sabor tem como o irmão disse, um sabor espiritual, pois será mais espírito do que corpo. Nós quando morremos estaremos a passar para uma &quot;forma&quot; específica de alma, o sabor está certamente na espiritualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Salams irmão Duarte. É bastante boa a forma como transmite o seu conhecimento, tanto aqui como no seu blog (sou seu leitor&#8230;).</p>
<p>Falando primeiro do seu último comentário&#8230;</p>
<p>«Todo o que vive tem de saborear a morte».</p>
<p>Existe essa perspectiva que tomou, mas podemos ler esta frase num sentido menos metafórico, pois todos os que vivem, todos os que nasceram terão só um fim: a morte. todos, todos sem excepção iram, mais cedo ou mais tarde sentir a morte, irão saber o que é morrer, o que está do outro lado. É esse o sabor que todos irão sentir.</p>
<p>Ora, esse sabor tem como o irmão disse, um sabor espiritual, pois será mais espírito do que corpo. Nós quando morremos estaremos a passar para uma &#8220;forma&#8221; específica de alma, o sabor está certamente na espiritualidade.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
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		<title>By: duarte</title>
		<link>http://islamnet.eu/quem-e-amigo-ou-inimigo/comment-page-1/#comment-164</link>
		<dc:creator>duarte</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jul 2008 22:33:58 +0000</pubDate>
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		<description>Lembrei-me entretanto daquele versículo alcorânico, inscrito na antecâmara funerária da Mesquita de Lisboa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Todo o que vive tem de saborear a morte».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para saborear o que quer que seja, têm que se ter sentidos, e, logo, um corpo «que vive». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para uma morte poder ser saboreada não pode ser física. Uma morte com sabor só pode ser ritual (morte do ego).</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Lembrei-me entretanto daquele versículo alcorânico, inscrito na antecâmara funerária da Mesquita de Lisboa:</p>
<p>«Todo o que vive tem de saborear a morte».</p>
<p>Para saborear o que quer que seja, têm que se ter sentidos, e, logo, um corpo «que vive». </p>
<p>Para uma morte poder ser saboreada não pode ser física. Uma morte com sabor só pode ser ritual (morte do ego).</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: duarte</title>
		<link>http://islamnet.eu/quem-e-amigo-ou-inimigo/comment-page-1/#comment-163</link>
		<dc:creator>duarte</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jul 2008 22:19:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://islamnet.blogs.sapo.pt/156936.html#comment-163</guid>
		<description>Mais uma, tentando ver o outro lado da questão ;-) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um provérbio da corrente islâmica sufi que fala em «ser um morto que caminha, alguém que morreu antes da própria morte».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me que os Sufis estão a referir-se a &quot;morrer&quot; sem deixar de se estar vivo, uma espécie de &quot;morte ritual&quot; (rito a que, antigamente, se iniciavam os jovens para a passagem à idade adulta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ibn Arabi também possui passagens em que refere que a &quot;morte espiritual&quot; é diferente da &quot;morte física&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos são os sufis que aludem à &quot;morte do ego&quot; como condição para se votar a Alá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo a questão: não é possível que Dunya e Akhirah co-existam na nossa vivência de todos os dias e designem dois lados em cada um de nós, o lado mais egocêntrico, terrestre e vulgar (Dunya) e o lado mais humano da alma que se consagra a Alá nesta vida (ainda que seja uma espécie de morte do seu Dunya, um afastamento da chamada &quot;vida social&quot;, praticada por tantos sufis).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa tenho por certa: é que não há vida sem corpo. Até as estrelas e os átomos têm corpos, massa. Portanto, vida além da morte só se for aquela que a morte ritual do ego cria no corpo vivo, preparando o caminho para «Faná Al Faná».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não façam como os modernos Cristãos: não desprezem o corpo. Quando ele se liberta das lides mundanas, ganha nova vida com outras potencialidades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filósofo Nietzsche tomou o partido dos islâmicos contra os cristãos (no seu conhecido livro &quot;O Anti-Cristo&quot;) porque considerava o apogeu do islamismo (em Córdova) uma celebração da vida e não da «vida para além da morte» (ideia que tresanda a cristianismo tardio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica uma bela passagem de Ibn Arabi como síntese do que acabo de dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Aquele que morre uma morte espiritual, enquanto a sua vida material continua, também perde as suas características, tanto boas como más, e nada de seu permanece. No seu lugar, Alá vem a ser. O seu ser torna-se ser de Alá; os seus atributos, os de Alá. Tal é o que o nosso Mestre, o Profeta de Alá (a paz e a bênção estejam com ele), pretendia afirmar com a expressão “Morre antes de morrer”, querendo com isto dizer, “conhece-te a ti próprio, antes de morreres”. Alá, falando através do Seu Profeta, disse: “O meu servo aproxima-se de mim pelo louvor das boas obras até Eu o amar. E, logo que o ame, serei a audição dos seus ouvidos, por isso, ele escutar-me-á; serei a visão dos seus olhos, de modo que ver-me-á; serei a voz da sua língua e a mão pela qual se conduz; torno-me a força de todas as partes do seu ser”. &lt;br /&gt; Com estas palavras divinas, o Mensageiro de Alá indica que aquele que morre antes de morrer realiza todo o seu ser como ser de Alá e não distingue entre si e Alá, entre os seus atributos e os de Alá, nem admite qualquer necessidade ou possibilidade de alteração do seu estado. Pois, se o seu ser não fosse já Alá, nem sequer se poderia conhecer a si próprio.&lt;br /&gt;Assim, quanto te conheceres a ti próprio, o teu ego e o teu egocentrismo abandonar-te-ão, e saberás que não há nada na existência senão Alá».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda estes nobilíssimos poetas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Antes que descreias no teu eu,&lt;br /&gt;Não podes tornar-te crente em Deus. […]&lt;br /&gt;O que hás-de fazer com o teu ego,&lt;br /&gt;A verdadeira marca do herético?&lt;br /&gt;De cada vez que a tua cabeça tocar&lt;br /&gt;o chão em orações, lembra-te,&lt;br /&gt;isto é para te ensinar&lt;br /&gt;a baixares a carga do ego».&lt;br /&gt;- ABU-SAEED ABIL-KHEIR (967-1049), NOBODY, SON OF NOBODY.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade está onde quer que a queiras.&lt;br /&gt;Achamo-la integralmente no corpo».&lt;br /&gt;- YUNUS EMRE (1240-1320), THE DROP THAT BECAME SEA.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma, tentando ver o outro lado da questão <img src='http://islamnet.eu/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' />  </p>
<p>Há um provérbio da corrente islâmica sufi que fala em «ser um morto que caminha, alguém que morreu antes da própria morte».</p>
<p>Parece-me que os Sufis estão a referir-se a &#8220;morrer&#8221; sem deixar de se estar vivo, uma espécie de &#8220;morte ritual&#8221; (rito a que, antigamente, se iniciavam os jovens para a passagem à idade adulta).</p>
<p>Ibn Arabi também possui passagens em que refere que a &#8220;morte espiritual&#8221; é diferente da &#8220;morte física&#8221;.</p>
<p>Muitos são os sufis que aludem à &#8220;morte do ego&#8221; como condição para se votar a Alá.</p>
<p>Deixo a questão: não é possível que Dunya e Akhirah co-existam na nossa vivência de todos os dias e designem dois lados em cada um de nós, o lado mais egocêntrico, terrestre e vulgar (Dunya) e o lado mais humano da alma que se consagra a Alá nesta vida (ainda que seja uma espécie de morte do seu Dunya, um afastamento da chamada &#8220;vida social&#8221;, praticada por tantos sufis).</p>
<p>Uma coisa tenho por certa: é que não há vida sem corpo. Até as estrelas e os átomos têm corpos, massa. Portanto, vida além da morte só se for aquela que a morte ritual do ego cria no corpo vivo, preparando o caminho para «Faná Al Faná».</p>
<p>Não façam como os modernos Cristãos: não desprezem o corpo. Quando ele se liberta das lides mundanas, ganha nova vida com outras potencialidades. </p>
<p>O filósofo Nietzsche tomou o partido dos islâmicos contra os cristãos (no seu conhecido livro &#8220;O Anti-Cristo&#8221;) porque considerava o apogeu do islamismo (em Córdova) uma celebração da vida e não da «vida para além da morte» (ideia que tresanda a cristianismo tardio).</p>
<p>Fica uma bela passagem de Ibn Arabi como síntese do que acabo de dizer:</p>
<p>«Aquele que morre uma morte espiritual, enquanto a sua vida material continua, também perde as suas características, tanto boas como más, e nada de seu permanece. No seu lugar, Alá vem a ser. O seu ser torna-se ser de Alá; os seus atributos, os de Alá. Tal é o que o nosso Mestre, o Profeta de Alá (a paz e a bênção estejam com ele), pretendia afirmar com a expressão “Morre antes de morrer”, querendo com isto dizer, “conhece-te a ti próprio, antes de morreres”. Alá, falando através do Seu Profeta, disse: “O meu servo aproxima-se de mim pelo louvor das boas obras até Eu o amar. E, logo que o ame, serei a audição dos seus ouvidos, por isso, ele escutar-me-á; serei a visão dos seus olhos, de modo que ver-me-á; serei a voz da sua língua e a mão pela qual se conduz; torno-me a força de todas as partes do seu ser”. <br /> Com estas palavras divinas, o Mensageiro de Alá indica que aquele que morre antes de morrer realiza todo o seu ser como ser de Alá e não distingue entre si e Alá, entre os seus atributos e os de Alá, nem admite qualquer necessidade ou possibilidade de alteração do seu estado. Pois, se o seu ser não fosse já Alá, nem sequer se poderia conhecer a si próprio.<br />Assim, quanto te conheceres a ti próprio, o teu ego e o teu egocentrismo abandonar-te-ão, e saberás que não há nada na existência senão Alá».</p>
<p>E ainda estes nobilíssimos poetas:</p>
<p>«Antes que descreias no teu eu,<br />Não podes tornar-te crente em Deus. […]<br />O que hás-de fazer com o teu ego,<br />A verdadeira marca do herético?<br />De cada vez que a tua cabeça tocar<br />o chão em orações, lembra-te,<br />isto é para te ensinar<br />a baixares a carga do ego».<br />- ABU-SAEED ABIL-KHEIR (967-1049), NOBODY, SON OF NOBODY.</p>
<p>A verdade está onde quer que a queiras.<br />Achamo-la integralmente no corpo».<br />- YUNUS EMRE (1240-1320), THE DROP THAT BECAME SEA.</p>
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